sexta-feira, 26 de junho de 2015

Made Brazil



“Música brasileira é uma bosta! Não tem nada que preste!”
Eu sou uma pessoa que tolero diversos tipos de ignorância humana, mas se tem coisa que não tolero é esse tipo de afirmação descabida. Não sei se é uma tentativa de depreciar a arte e a cultura nacional ou se é realmente burrice. Dizer que um país tão musical quanto o Brasil com suas dezenas de ritmos genuínos não tem música que preste é no mínimo falta de estudo.
Certo dia vi um grupo fazendo uma apresentação de ritmos nordestinos e o som do maracatu, caboclinho, frevo, baião, xaxado dentre tantos outros, foi uma coisa que me relembrou a riqueza musical do Brasil (inclusive já participei de grupos do tipo) e fiquei encantado como esse país é rico culturalmente.
Se sairmos dos ritmos nordestinos citados, poderemos ir até o norte e falar do Boi bumbá, indo para o centro-oeste poderemos falar da música pantaneira, da catira, do cururu. Indo ao sudeste porque não falar do samba, da viola caipira, do rap e do funk com as versões absolutamente abrasileirada? Chegando ao sul o vanerão, a valsa, o bugio… Isso pra citar o que veio na cabeça, pois existem mais de dezenas de ritmos fabulosos que não lembro e que certamente desconheço também de tão rico que somos musicalmente. E uma das coisas que mais me encanta nisso tudo é o sincretismo de nossa música que definitivamente É A CARA do nosso país. Uma mistura de África/nativos/Europa/resto do mundo que é único e que todos devem no mínimo invejar toda essa riqueza que é nossa, só nossa. Desde o baião que nasceu do fado e do maracatu, do frevo que nasceu da capoeira, do vanerão oriundo de imigrantes alemães.
Em uma conversa com uma moça suíça ela confessou pra mim que se mostrava encantada com a musicalidade brasileira, e eu, querendo saber qual o ritmo oriundo de lá, obtive uma resposta que pra mim é muito triste. Disse ela que na suíça não existe nenhum ritmo nacional, são todos importados de vários países. Isso, pra mim, seria desesperador. Pois a música, para além da dança e da diversão, me serve como forma de criar uma identidade. A música transcende as notas musicais é uma libertação, uma identidade, uma forma de sabermos quem somos.
Gosta do som estridente Heavy metal britânico? Que tal ouvir também o som pesado do maracatu. Gosta da leveza da música clássica europeia? Pois bem, ouça o som suave da música pantaneira com influências guarani. Veja, não quero aqui recriminar alguém por ouvir ritmos estrangeiros, até porque também adoro Pink floyd,Pearl Jam, Jimi Handrix, Janis Joplin, Vivaldi, mas quero apenas que antes de sair falando baboseiras sem conhecimento básico, também ouçam um Luiz Gonzaga, Almir Sater, Noel Rosa, Os Serranos, Bloco de pedra.
A julgar a música nacional pelo que é passado nos veículos de grande mídia, realmente te daria a maior razão do mundo em dizer que a música nacional é decadente. Só que há algumas décadas já, criou-se uma ferramenta muito útil para se descobrir tudo o que há de bom em música por exemplo, chama-se INTERNET. O interessante é que se acha de tudo lá relacionado a música brasileira. Então se você está lendo esse texto agora e é um crítico ferrenho da música nacional, certamente você tem acesso a essa internet então digita aí no site google a seguinte frase “Ritmos brasileiros” vai ver que vários vão ser os ritmos.


Peço a quem detesta música nacional que ao menos estude um pouco sobre nossos ritmos e se continuar detestando nossos som não tem problema, só não desrespeite uma cultura que representa todo um povo, toda uma identidade que só nós possuímos, pois nos piores momentos, nos casos de maior segregação a música nos une.

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