“Música brasileira é uma bosta! Não
tem nada que preste!”
Eu sou uma pessoa que tolero diversos
tipos de ignorância humana, mas se tem coisa que não tolero é esse
tipo de afirmação descabida. Não sei se é uma tentativa de
depreciar a arte e a cultura nacional ou se é realmente burrice.
Dizer que um país tão musical quanto o Brasil com suas dezenas de
ritmos genuínos não tem música que preste é no mínimo falta de
estudo.
Certo dia vi um grupo fazendo uma
apresentação de ritmos nordestinos e o som do maracatu, caboclinho,
frevo, baião, xaxado dentre tantos outros, foi uma coisa que me
relembrou a riqueza musical do Brasil (inclusive já participei de
grupos do tipo) e fiquei encantado como esse país é rico
culturalmente.
Se sairmos dos ritmos nordestinos
citados, poderemos ir até o norte e falar do Boi bumbá, indo para o
centro-oeste poderemos falar da música pantaneira, da catira, do
cururu. Indo ao sudeste porque não falar do samba, da viola caipira,
do rap e do funk com as versões absolutamente abrasileirada?
Chegando ao sul o vanerão, a valsa, o bugio… Isso pra citar o que
veio na cabeça, pois existem mais de dezenas de ritmos fabulosos que
não lembro e que certamente desconheço também de tão rico que
somos musicalmente. E uma das coisas que mais me encanta nisso tudo é
o sincretismo de nossa música que definitivamente É A CARA do nosso
país. Uma mistura de África/nativos/Europa/resto do mundo que é
único e que todos devem no mínimo invejar toda essa riqueza que é
nossa, só nossa. Desde o baião que nasceu do fado e do maracatu, do
frevo que nasceu da capoeira, do vanerão oriundo de imigrantes
alemães.
Em uma conversa com uma moça suíça
ela confessou pra mim que se mostrava encantada com a musicalidade
brasileira, e eu, querendo saber qual o ritmo oriundo de lá, obtive
uma resposta que pra mim é muito triste. Disse ela que na suíça
não existe nenhum ritmo nacional, são todos importados de vários
países. Isso, pra mim, seria desesperador. Pois a música, para além
da dança e da diversão, me serve como forma de criar uma
identidade. A música transcende as notas musicais é uma libertação,
uma identidade, uma forma de sabermos quem somos.
Gosta do som estridente Heavy metal
britânico? Que tal ouvir também o som pesado do maracatu. Gosta da
leveza da música clássica europeia? Pois bem, ouça o som suave da
música pantaneira com influências guarani. Veja, não quero aqui
recriminar alguém por ouvir ritmos estrangeiros, até porque também
adoro Pink floyd,Pearl Jam, Jimi Handrix, Janis Joplin, Vivaldi, mas
quero apenas que antes de sair falando baboseiras sem conhecimento
básico, também ouçam um Luiz Gonzaga, Almir Sater, Noel Rosa, Os
Serranos, Bloco de pedra.
A julgar a música nacional pelo que é
passado nos veículos de grande mídia, realmente te daria a maior
razão do mundo em dizer que a música nacional é decadente. Só que
há algumas décadas já, criou-se uma ferramenta muito útil para se
descobrir tudo o que há de bom em música por exemplo, chama-se
INTERNET. O interessante é que se acha de tudo lá relacionado a
música brasileira. Então se você está lendo esse texto agora e é
um crítico ferrenho da música nacional, certamente você tem acesso
a essa internet então digita aí no site google a seguinte frase
“Ritmos brasileiros” vai ver que vários vão ser os ritmos.
Peço a quem detesta música nacional
que ao menos estude um pouco sobre nossos ritmos e se continuar
detestando nossos som não tem problema, só não desrespeite uma
cultura que representa todo um povo, toda uma identidade que só nós
possuímos, pois nos piores momentos, nos casos de maior segregação
a música nos une.

Nenhum comentário:
Postar um comentário